POSTADO EM
06
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04
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2020
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Geral

Neste mês de abril comemoramos o abril Azul, símbolo do Transtorno do Espectro do Autismo-TEA. É neste mês que são organizados vários eventos (passeatas; congressos, workshops, entrevistas nos meios de comunicação, entre outros) tendo como objetivo a conscientização de um problema tão delicado, tão difícil e desafiador na vida de muitas pessoas. Esses tantos eventos auxiliam muito na diminuição dos preconceitos, no fortalecimento dos direitos e deveres das famílias e de seus filhos, assim como na inclusão escolar e social desta população específica.

Como ainda não sabemos sobre sua etiologia (a causa, sua origem), observamos nesses últimos 50 anos uma série de crendices que levam os familiares a entrarem num mundo de experimentos, sem que tenhamos a segurança e a certeza da eficácia desses procedimentos que possam auxiliar seus filhos a um bom desenvolvimento, a uma autonomia. Por isso temos ainda, no mundo inteiro uma série de condutas que pretendem alcançar esses objetivos nobres: melhor qualidade de vida; autonomia e felicidade.

Já tivemos a era da culpabilidade dos pais por terem um(a) filho(a) com Autismo, o uso de moderador de apetite e tantos outros. Agora estamos na era do uso da Risperidona; do Aripiprazol; das condutas como o TEACCH, do Son Rise; Floortime e ABA para o Autismo. Por ainda não sabermos sobre a etiologia do Autismo, parece que tudo o que for proposto para as famílias as tornam reféns da formação e/ou das convicções de quem oferece este ou aquele modelo de conduta.

E para dificultar ainda mais este cenário, entramos na era do Canabidiol. Ainda sem qualquer evidência científica, várias famílias buscam, nesta substância, uma luz no tratamento de seus filhos.

O fato é: até agora, dentre os procedimentos que demonstraram uma melhor eficácia continua sendo a Análise Aplicada do Comportamento, que não é específica para o Autismo. Não há terapia de 30, de 40 ou de 50 minutos para o Autismo. O que se busca é, através do conhecimento que se adquire sobre o funcionamento do comportamento humano, vários procedimentos dos mesmos podem ser aplicados com um resultado mais satisfatório. Não se cura o Autismo, mas podemos amenizar os excessos comportamentais e aumentar o repertório de habilidades e autonomia de uma pessoa.

A todos os pais e outros familiares; aos colegas e profissionais que cuidam dessa população e aos cientistas quem ainda buscam um melhor entendimento sobre este Transtorno, desejo sucesso, serenidade e otimismo nesses desafios.

Este texto não reflete, necessariamente, a opinião da EID.
José Raimundo Facion

Psicólogo, pela Universidade de Münster (Alemanha). Doutor em Psiquiatria Infanto-Juvenil; Pós-Doutorados pelos departamentos de Neuropediatria e de Neuroanatomia e Instituto de Pesquisa sobre o Autismo (Alemanha). Diretor do INAPEA.

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