POSTADO EM
11
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05
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2020
|
Geral

Autocuidado: eis um tema fundamental desde que me tornei mãe. Parece que quando me dei conta de que havia um novo ser ali, frágil e totalmente dependente, que estava aos meus cuidados, percebi a real importância de cuidar da minha própria vida. Porque se eu não estivesse bem, como cuidaria dele?

Claro, isso era um pensamento típico da puérpera de primeira viagem que eu era, achando que só eu podia cuidar de meu próprio bebê e que ninguém mais cuidaria dele tão bem quanto eu. (...) Com o tempo, descobri que é possível, desejável e saudável relegar certos cuidados em relação à criança a outras pessoas, sempre e quando isso for necessário para eu mesma me cuidar, por exemplo.

Cuidar de si mesma não é egoísmo. Pelo contrário: se queremos ter disposição e espaço interno para cuidar dos filhos, é fundamental que estejamos bem cuidadas. Mas não só por isso o autocuidado precisa ser levado à sério: ele é a base do cultivo de relações saudáveis: uma relação saudável consigo mesma determina como nos relacionamos com as outras pessoas, inclusive com os filhos - estes seres especialistas em nos mostrarem nossos próprios limites, medos e crenças limitantes, estimulando em nós os sentimentos mais contraditórios.

Cuidar de si mesma, atenta às próprias necessidades e buscando cocriar as condições para atendê-las da forma que mais lhe convém, é, assim, parte de nossa responsabilidade não só como mães, mas como seres humanos buscando ser a mudança que queremos ver no mundo, na sociedade e em nossos filhos.

Autocuidado faz parte, então, de um processo de autorresponsabilização: assumir a responsabilidade pela própria vida, pelas necessidades vivas em você e pelo que você sente e precisa. E isso vem ao encontro do processo mais amplo de empoderamento: quando você assume a responsabilidade pela sua própria vida, você resgata sua potência e não deixa seu bem-estar na mão das outras pessoas. Para isso, é preciso lançar um olhar sincero e compassivo para os próprios sentimentos e necessidades, para descobrir o que realmente precisa ser nutrido.

(...)

A questão é que quando não estamos nutridas naquilo que é importante para nós - amor, apoio, acolhimento, compreensão, reconhecimento, descanso, entre outras necessidades humanas básicas - dificilmente teremos como nutrir. Se negligenciamos o autocuidado, não temos como cuidar verdadeiramente de outro ser, sobretudo de uma criança – que sente e percebe tudo o que se passa com a mãe, principalmente nos primeiros anos de vida. Então, não adianta "fingir que está tudo bem" e passar por cima de si mesma, das próprias necessidades, na ilusão de cuidar assim da criança. Se uma das duas partes está malcuidada, então algo precisa ser revisto, senão a relação vai pagar por isso.

á percebeu, por exemplo, que quando você está muito cansada, a impaciência surge com mais força? Que quando você gostaria de estar em outro lugar, fazendo outra coisa, ao invés de estar ali com a criança, isso estimula em você mais frustração e mesmo raiva? E que isso se reflete na qualidade de sua presença e de sua conexão com os filhos?

(...)

Porque quando a mãe cuida das crianças às custas de seu próprio bem-estar físico, mental e emocional, não está cultivando o cuidado: está mostrando aos seus filhos que ela mesma não é prioridade e que devemos abrir mão de nosso próprio bem-estar em prol dos outros. Descuidar de si é descuidar das relações. Em pouco tempo, isso se torna insustentável e o impacto no relacionamento mãe-filho é evidente. Mas evitável.

Por isso, que todos se lembrem: para mudar o mundo, é preciso cuidar das mães. Porque é com elas que temos a relação mais básica de todas as relações humanas.

Autora: Maristela Lima

Trecho do livro “Autocuidado na maternagem – o caminho da Comunicação Não Violenta para equilibrar a relação com os filhos e consigo mesma”, publicado com autorização da autora. Se compartilhar, sempre cite a fonte.

O livro está à venda no site www.cultivandocuidado.com

Acompanhe seu trabalho no instagram @autocuidadonamaternagem

Sigla: CNV – Comunicação Não Violenta.


Este texto não reflete, necessariamente, a opinião da EID.
Maristela Lima

Escritora e mentora de mães, facilitadora de CNV e especialista em inteligência emocional. Autora do livro "Autocuidado na maternagem", mãe de dois, criadora do Projeto Cultivando Cuidado e do Percurso Online CNVMaterna.

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