POSTADO EM
14
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09
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2020
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Psicologia

A maioria das pessoas com ideias de morte comunica, direta ou indiretamente, que algo está errado.  Estatísticas da OMS mostram que das mortes por suicídio, cerca de 90% das vítimas comunicaram a família, amigos, suas ideias suicidas – nesta mesma pesquisa, 80% consultaram um médico não psiquiatra no mês anterior ao suicídio.

É alarmante pensar que se todos esses pedidos de ajuda não tivessem sido ignorados ou negligenciados, mortes trágicas poderiam ter sido evitadas.

Para profissionais da Saúde Mental alguns comportamentos são sinais claros de risco suicida. Porém a prevenção não deve se limitar apenas a psicólogos e psiquiatras, mas em todos os âmbitos – desde a atenção básica de saúde, até escolas, no trabalho e dentro das próprias famílias.

Existem expressões diretas e indiretas de comportamento que mostram que algo está errado, e perceber estes sinais é o primeiro passo para ajudar alguém.

Sinais diretos:

  • Tentativa de suicídio anterior;
  • Ameaça ou expressão do desejo de morrer;
  • Mostrar um plano para se matar (perguntar sobre meios);
  • Depressão/Desesperança/Desamparo/Desespero;
  • Oscilação de Humor;
  • Automutilação (se cortar, se machucar intencionalmente);
  • Pessimismo;
  • Ansiedade acompanhada de estresse;
  • Dores emocionais;
  • Problemas no sono (insônia ou sono excessivo);
  • Raiva, impulsividade, desejo de vingança;
  • Sensação de estar preso, sem saída;
  • Isolamento social: família, amigos, trabalho;
  • Falta de sentido para viver;
  • Uso abusivo de substâncias (álcool ou drogas);
  • Impulsividade e interesse por atividades de risco.

Sinais Indiretos:

  • Súbito desinteresse em atividades que antes lhe traziam prazer;
  • Desfazer-se de objetos importantes;
  • Fazer um testamento, organizar bens;
  • Mudanças drásticas de comportamento;
  • Despedir-se de parentes e amigos;
  • Casos extremos de irritabilidade, culpa e choro;
  • Comprar arma, estocar comprimidos, procurar meios para o ato.

Por fim, precisamos não apenas perceber os sinais de um comportamento suicida, mas também tomar uma atitude para ajudar quem está neste período de sofrimento emocional. Entender como está o emocional e mental daquele que pensa em se matar, facilita empatizar com a dor do outro e assim o impulsionar a procurar ajuda.

O comportamento suicida aparece em consequência de quatro sentimentos, chamados 4D, sendo eles:

  • Depressão;
  • Desesperança;
  • Desamparo; 
  • Desespero.

Sentimentos estes, que se manifestam de maneira tão extrema, que levam à percepção de que eles sejam intoleráveis (não suporta mais), inescapáveis (não vê saída) e intermináveis (não vê o fim), pensando então que a única saída seria o fim da vida.

Como ouvi da professora Luisa Maciel, em uma das aulas de Terapia do Esquema, “O Suicídio é uma solução definitiva, para um problema temporário”. Podemos entender que alguém esteja pensando e se sentindo desta maneira insuportável, mas sempre haverá solução se estivermos dispostos a ajudar e mostrar que existe outro caminho.

Referências:

Associação Brasileira de Psiquiatria. Suicídio: informando para prevenir  / Associação Brasileira de Psiquiatria, Comissão de Estudos e Prevenção de Suicídio. – Brasília: CFM/ABP, 2014.

Ministério da Saúde -  Prevenção do Suicídio Manual dirigido a profissionais das equipes de saúde mental. Brasil, 2006.

WERLANG, B.G.; BOTEGA, N. J. Comportamento suicida. Porto Alegre: Artmed Editora, 2004.

Este texto não reflete, necessariamente, a opinião da EID.
Éllen Martins Salvador

Psicóloga e supervisora clínica (CRP 08/024797), palestrante e Coordenadora do Grupo de estudos em Terapia do Esquema do IPTC. Terapeuta do Esquema pela Wainer Terapias Cognitivas, especialista no trabalho com Transtorno de Personalidade Borderline e comportamento suicida.

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