POSTADO EM
28
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09
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2020
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Psicologia

Atualmente, com o excesso de informações a que somos expostos, prestar atenção acaba não se tornando uma prática habitual, o mindfulness vem então como uma técnica de implantação e gestão da atenção intencional. O mindfulness é uma das chamadas práticas mente-corpo, originadas nas antigas culturas orientais. Essas práticas focam na interação entre o cérebro, corpo e comportamento, sendo realizadas com intenção de utilizar a mente para alterar a função física e promover saúde geral e bem-estar físico e mental.

Derivada originalmente de tradições de meditação budista, o mindfulness apresenta-se como uma forma de cultivo da atenção de maneira introspectiva, como uma meditação, entretanto sem mantra ou canto. Objetiva uma capacidade mental denominada “atenção plena”, que consiste em uma consciência de estímulos do momento presente, sem elaboração cognitiva nem julgamento específico. Ele é uma habilidade a ser desenvolvida, que permite sermos menos reativos aos acontecimentos em si, e mais conscientes dos próprios processos internos em relação aquilo que está acontecendo no momento. Ele nos ajuda a nos relacionarmos com as nossas experiências (sejam elas positivas, negativas ou neutras) pensando em aumentar a sensação de bem-estar e diminuir o sofrimento.

A prática do mindfulness é baseada em dois componentes principais. O primeiro deles é a autorregularão da atenção para que ela seja mantida na experiência imediata, permitindo assim maior reconhecimento dos eventos mentais que estão no momento presente. O segundo é adotar orientação de abertura e aceitação com a experiência vivida. A ausência de julgamento, a aceitação, e a autocompaixão nos permitem lidar melhor com os fatores relacionados a experiência. Esses dois componentes visam nos fornecer uma maior flexibilidade para lidar com as situações, o ambiente e com a vida.

Alguns estudos demonstram que os exercícios de mindfulness estão envolvidos na redução de ansiedade, depressão, na melhora do humor, redução da dor, redução do estresse, no aumento da qualidade de vida de pacientes em diversas situações de saúde: como mulheres na menopausa, pacientes cardiopatas, com câncer, com transtornos alimentares, com TDAH, entre outros (Bachmann, Lam & Philipsen, 2016; Bueno et al, 2015). Além disso, outros estudos também demonstraram, em praticantes de mindfulness, aumento da espessura cortical, aumento da densidade e de volume em regiões da massa cinzenta do cérebro. Esta prática apresenta também efeitos benéficos em domínios cognitivos como atenção, memória, flexibilidade cognitiva geral e gerenciamento de conflitos (Tang, Hölzel & Posner, 2015; Hölzel et al, 2011; Lazar et al, 2005).

Referências

Bachmann, K., Lam, A. P., Philipsen, A. (2016). Mindfulness-Based cognitive therapy and the Adult ADHD Brain : A Neuropsychotherapeutic Perspective. Frontiers in Psychiatry, 7(June), 1–7. http://doi.org/10.3389/fpsyt.2016.00117

Bueno, V. F., Kozasa, E. H., Aparecida, M., Alves, T. M., Louzã, M. R., & Pompéia, S. (2015). Mindfulness Meditation Improves Mood, Quality of Life, and Attention in Adults with Attention Deficit Hyperactivity Disorder. BioMed Research International, 2015(Article ID 962857), 14 pages.

Hölzel, B. K., Carmody, J., Vangel, M., Congleton, C., Yerramsetti, S. M., Gard, T., & Lazar, S. W. (2011). Mindfulness practice leads to increases in regional brain gray matter density. Psychiatry Research - Neuroimaging, 191(1), 36–43. http://doi.org/10.1016/j.pscychresns.2010.08.006

Lazar, S. W., Kerr, C. E., Wasserman, R. H., Gray, J. R., Greve, D. N., Treadway, M. T., … Fischl, B. (2005). Meditation experience is associated with increased cortical thickness. Neuroreport, 16(17), 1893–7. http://doi.org/10.1097/01.wnr.0000186598.66243.19

Tang, Yi-Y., Hölzel, B. K., Posner, M. I. (2015). The neuroscience of mindfulness meditation. Nature Reviews Neuroscience, 16, 213-225. https://doi.org/10.1038/nrn3916

Este texto não reflete, necessariamente, a opinião da EID.
Thaís Malucelli Amatneeks

Psicóloga | CRP 08/23.825 Mestre em Psicologia - Avaliação e Reabilitação Neuropsicológica (UFPR) Coordenadora do curso de Terapia Cognitivo-Comportamental da EID

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