POSTADO EM
13
.
10
.
2020
|
Psicologia

Os Transtornos Alimentares são distúrbios mentais que podem gerar graves prejuízos no desenvolvimento físico, cognitivo e social das crianças. Eles podem passar despercebidos por meses ou até mesmo anos, pois são frequentemente rotulados como fase, frescura ou como o jeito próprio da criança, o que faz com que muitos pais não busquem tratamento.

Os Transtornos Alimentares mais comuns na infância são o Transtorno Alimentar Restritivo Evitativo, o Transtorno de Compulsão Alimentar, a Anorexia Nervosa e a Bulimia Nervosa. São características comuns destes quadros: medo de provar alimentos novos, falta de interesse pela comida, medo de engasgar/vomitar com a comida, evitar certos alimentos por causa da sua cor, textura, consistência ou cheiro, comer muito menos do que a sua necessidade calórica diária, medo de engordar, preocupação exagerada com peso e/ou formato do corpo e comer compulsivamente. 

O tratamento deve acontecer com uma equipe interdisciplinar, que discute o caso, que traça junto à família e paciente os objetivos terapêuticos, e é idealmente composta por profissionais especialistas em Transtornos Alimentares: pediatra, psiquiatra, psicólogo, nutricionista, terapeuta ocupacional, fonoaudiólogo, terapeuta familiar, endocrinologista e outras especialidades conforme a necessidade do caso. 

A Terapia Cognitivo-comportamental é o tratamento psicológico mais indicado pois foca em 5 objetivos centrais: a psicoeducação, a reestruturação cognitiva, a normalização do comportamento alimentar, a prevenção de recaídas e a orientação aos pais.

Na psicoeducação o psicólogo explica aos pais e paciente o que é o Transtorno Alimentar e como podem unir esforços para tratar o paciente através da mudança de hábitos e da reestruturação cognitiva. Na reestruturação cognitiva será ressignificada  a relação que o paciente tem com a comida e com seu corpo. Para normalizar o comportamento alimentar, são estabelecidos objetivos semanais de mudança de comportamento alimentar que são combinados com o paciente. Esses objetivos devem ser adequados à idade e capacidade deste implementar a mudança combinada com o psicólogo e receber o apoio dos pais. Na prevenção de recaídas são identificadas situações de risco para voltar ao padrão de pensamento antigo, são traçadas estratégias para enfrentar de forma assertiva a situação de risco e como manter as mudanças conquistadas. A orientação aos pais é de fundamental importância para o sucesso do tratamento da criança. Nela os pais são educados sobre como lidar com as situações-problema com vistas a favorecer a mudança de pensamento e comportamento da criança. 

Vale lembrar que o melhor prognóstico está associado à intervenção precoce. Então, se o comportamento alimentar do seu filho ou paciente te gerar alguma dúvida ou preocupação, procure ajuda especializada.

Este texto não reflete, necessariamente, a opinião da EID.
Talita Lopes Marques

Graduada em psicologia (CRP 08/10841). Especialista em transtornos alimentares e obesidade e intervenção cognitiva. Formação em terapia comportamental e cognitiva e psicologia do emagrecimento. Instrutora Qualificada de Mindful Eating - Protocolo MB-EAT (2018).

compartilhe